‘À Morte do Mui Alto e Esclarecido Rei Dom Manuel’ de Gil Vicente

12400_660248607355220_1703293620_nQuem longa vida deseja

Deseja ver-se enganar

Pois que lhe vejo chamar

Vida, não que vida seja

Senão a modo de falar.

E pois no triste acabar

Se começa o desengano

Não sei quem vai desejar

Que dure a vida de engano.

Riqueza ou grande poder

Ou mui alta senhoria

Ou bonança ou alegria

Pois logo deixa de se ser

Quando era e que seria?

Ó vida vã e vazia

Ocupada em presunção

Aprende com discrição

Porque cada hora do dia

Te dá o mundo lição.

Ó quem viu as alegrias

Daquelas naves tão belas,

Belas e poderosas velas

Agora há tão poucos dias

Para ir o Infante nelas.

Vai buscar o senhor delas

Rei que o mundo mandou

Verás que tal se tornou;

E verei como te velas

Da vida que o enganou.

Vela-te, vida, na vida,

Não sejas morte na morte:

Guia-te por este norte

De tão súbita partida

De um rei são e tão forte.

Deram-lhe a terra por corte.

Dos cortesãos apartado,

E um lençol por reinado,

Porque o mundo desta sorte

Desengana o enganado.

 

Gil Vicente em ‘Cem Poemas Para Salvar a Nossa Vida’

ΩΩΩΩ

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